Enem 2016: A 25 dias da prova, alunos tentam relaxar e dormir direito

Relaxar e dormir são as prioridades da maioria dos alunos nesses 25 dias que faltam para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).


Enem 2016: A 25 dias da prova, alunos tentam relaxar e dormir direito

Relaxar e dormir são as prioridades da maioria dos alunos nesses 25 dias que faltam para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

A ideia, contam os alunos ouvidos pela reportagem do UOL, é evitar que a tensão atrapalhe o rendimento dos estudos nessa reta final. A dedicação continua, mas respeitando ainda mais a necessidade de descanso que o corpo e a mente precisam.

`Precisamos comer bem, beber água, descansar. Já pensou chegar no dia da prova com sono? O Enem exige muito da gente [são 4h30 de prova no primeiro dia e 5h30 no segundo]`, diz o haitiano Jean Woolmay Denson Pierre, 20, que estuda no Cursinho Maximize, em São Paulo, para tentar passar em medicina.

`É importante ouvir o que o seu corpo está dizendo. Se eu estou muito cansada, eu paro. Não vou render nada se eu me forçar demais`, acrescenta Gisele Araújo, 18, que deseja cursar biomedicina.

Já Felipe Gomes, 18, prefere a corrida para relaxar. `O vestibulando tem sempre aquela sensação de estar correndo contra o tempo. É difícil, mas a gente precisa controlar o estresse.` Ele vai prestar para os cursos de ciências e tecnologia e astronomia.

O que você faz para relaxar?

Fazer o que gosta

É fundamental fazer alguma atividade de que gosta para controlar a pressão e o estresse nesse momento, segundo os vestibulandos.

`O bom é você não ficar muito pilhado agora e nem no dia da prova, porque 70% da prova é como você vai estar [emocionalmente]` destacou Mickaely Gois, 17, que deseja cursar letras. `Não podemos nos pressionar mais do que a sociedade já pressiona, mais do que o governo já pressiona, a família...`

Para relaxar, a jovem disse que vai separar algum tempo para ver séries na internet, rodar bambolê e tocar violino, práticas que adora.

Os colegas de sala Felipe Gomes e Kenje Horinouti, ambos com 18 anos, pretendem continuar com as atividades físicas que já praticam desde o começo do cursinho.

`Eu estudo entre 10h e 12h por dia [entre escola, cursinho e estudos em casa], mas adoro muito dançar e ouvir música. Isso ajuda a me relaxar bem`, comentou Horinouti, que vai prestar medicina, arquitetura e moda.

`Uma coisa que eu gosto é de assistir filmes históricos`, conta Gomes. `Me relaxa e ao mesmo tempo estou estudando. É divertido.`

Lais Bravo, 18, quer uma vaga no curso de fonoaudiologia. Mesmo com toda a dedicação que precisa ter para se dividir entre o último ano do ensino médio e as aulas do cursinho, ela revelou que o que a relaxa mesmo são as redes sociais. `É mais para uma distração. Mas não uso muito não, só às vezes`, completa.

Aluno do pré-vestibular Poliedro, Vitor Andriolli, 18, organiza bem essa jornada. Em geral, ele chega para a aula às 7h, sai para almoçar por volta do meio-dia e depois volta ao cursinho para ficar estudando até as 19h.

`Procuro também usar o tempo que passo no transporte público para ler os livros literários ou para ouvir videoaulas e podcasts`, explica o aluno, que busca uma vaga em relações internacionais.

Amizade acima da concorrência

Apesar de o momento ser de tensão, o professor Marcelo Carvalho, do pré-vestibular Etapa, conta que muitos alunos acabam se ajudando para que cada um faça o seu melhor na prova.

`No caso das turmas de medicina é até curioso, porque eles vão prestar o mesmo curso, são concorrentes. Mas eles não encaram assim. Eles veem que cada um tem a sua chance. Existe mais espírito de camaradagem entre eles do que de concorrência`, diz.

Aurélio Ryu, 26, que busca uma vaga no curso, confirma: `A gente acaba esquecendo que são X vagas e que o outro pode pegar a minha vaga. A gente pensa que pode ser colega na mesma faculdade no ano que vem`.

Novo ensino médio

Já no Cursinho da Poli, na zona oeste de São Paulo, o clima entre os alunos é de apreensão –além das provas, em si, eles dizem temer pelo futuro da prova, com a recém anunciada reforma do ensino médio.

`Estou apreensiva em relação ao Enem, porque estudei 11 anos em escola pública e receio que isso não valha de nada para uma próxima edição do Enem, caso eu não consiga passar no vestibular este ano`, diz a estudante Ana Carolina Schimojo, 19, que vai tentar vaga em letras ou história.

`Já há uma pressão para o exame, em si, mas agora a apreensão é por imaginar o que vai virar o Enem ano que vem caso eu não consiga vaga este ano`, conta Vitória Carlos Costa, 19, que prestará para ciências sociais.

`Muito provavelmente as federais deixarão de aceitar o resultado do Enem, o que me faz ir para a prova este ano muito mais pilhado, nervoso, com uma carga de estresse muito maior para que dê certo logo – porque sei que o Enem ainda é porta de entrada para muitas universidades públicas`, comentou Willians Toledo, 18, candidato do curso de fonoaudiologia.

`Estou até tranquila com a prova deste ano; fico nervosa mesmo é com os boatos de que o Enem pode mudar e não valer mais para ingresso em universidade. Fico, na real, é mais revoltada com isso`, afirma a estudante Nathália Barbosa, 18.

O MEC (Ministério da Educação) sinalizou que as mudanças no ensino médio vão impactar o Enem, mas ainda não há nada definido.

Há também quem esteja preocupado `só` com a edição atual do Enem. `Estou muito nervosa, porque já não me sinto preparada suficientemente – o que eu deveria ter visto na escola pública estou aprendendo agora, no cursinho –quando eu deveria, na verdade, estar é reforçando`, relata Isabelli Leão, 17, que quer passar em odontologia.

Fonte: ANA CARLA BERMÚDEZ, BRUNA SOUZA CRUZ E JANAINA GARCIA - UOL EDUCAÇÃO - 11/10/2016 - SÃO PAULO, SP